Meu nome é Maria Aparecida, em 19 de maio de 1991 eu fiz a minha decisão pelo Senhor Jesus. Sou de uma família de 5 irmãos, minha mãe uma mulher lutadora e muito fiel ao Senhor, meu pai um homem que, mesmo com a idade avançada, nunca teve juízo. Tínhamos uma condição financeira muito boa na nossa época de criança, não nos faltava nada, mas meu pai era uma pessoa que não nos deixava sair sozinhos, nem quando tinha excursões na escola. Nossa rotina era estudar, fazer o "serviço da casa", brincar um pouco e à noite, dormir. Às vezes eu dizia para minha mãe que quando eu me casasse, queria ter um marido como meu pai, não entendia muito quando ela me respondia que eu teria um bem melhor.
Quando eu tinha 13 anos, minha mãe chamou meu irmão mais velho e eu para nos contar quem realmente era meu pai, porque ela disse que teria que abrir mão de um único bem que nós tínhamos, um lote muito bom perto da Pampulha, pois se ela não assinasse para vender, nós iríamos ver brigas e discussões dentro de casa. Nos contou que meu pai nunca deixou as coisas faltarem em casa mas, como marido, ele nunca foi o que ela esperava. Tinha várias mulheres, inclusive uma delas era afilhada deles e tinha um filho com ele. As farras dele eram tantas que, ele e os amigos fechavam até boates e deixavam tudo por conta deles.
Uma vez, um senhor foi até nossa casa querendo falar com minha mãe. Ela então pediu que minha avó saísse de casa conosco, pois ele queria conversar em particular. Este homem se apresentou como pai de uma moça em Lagoa Santa, a qual meu pai estava "noivo" dela há algum tempo e que, quando ele cobrava o casamento deles, ele dizia que minha mãe não queria dar a separação. Na realidade, este senhor era macumbeiro, e disse que tinha feito vários trabalhos para "matar" minha mãe, mas como a notícia da morte nunca chegava, então ele resolveu procurá-la para saber "em que" ela estava "firmada", pois os trabalhos dele eram "infalíveis", as pessoas morriam em pouco tempo. Então minha mãe contou o que estava acontecendo, que ela não sabia do noivado e que meu pai sempre foi mulherengo. Quanto à macumba, ele poderia "triplicar" o poder dela, pois o Deus que ela servia era maior que tudo aquilo que ele poderia fazer. Depois disso, eu comecei a entender muitas coisas e a ver como minha mãe sofria calada para nos poupar. Confesso que minha vida mudou muito depois disso.
Bem, crescemos e começamos a trabalhar, meu pai continuava a nos proibir de sair, namorar, etc. Nos "obrigava" a entregar nosso salário nas mãos dele, e quando tirávamos férias, não nos deixava viajar. Então, eu e meu irmão decidimos sair de casa. Falamos com nossa mãe e ela disse que tinha se anulado até ali, que não queria ver mais sofrimento, então ela decidiu sair conosco juntamente com meus outros 3 irmãos. Meu pai caiu em desespero, chorou muito, mas vendo que não adiantava mais, nos proibiu de levar os móveis bons, só os ruins. Passamos maus pedaços, mas estávamos juntos. Passado algum tempo, meu irmão se casou e eu fiquei tomando conta de tudo sozinha. Depois, minha irmã do meio se casou, minha irmã caçula se engravidou do "Júnior". Mais tarde meu irmão se separou, minha irmã largou o marido por causa de outro, minha mãe ficou muito doente devido a diabetes. Íamos à igreja com minha mãe, mas ninguém vivia uma vida dentro da Palavra e da vontade do Senhor.
Eu me envolvi com um homem casado, pai de 3 filhos, e fiquei 6 anos numa vida de adultério. Mas o Senhor é misericordioso, tenho certeza que as orações e lágrimas de minha mãe ajudaram muito, pois, Deus começou a me cobrar. Nos momentos que eu estava com essa pessoa, eu começava a me lembrar de tudo que aprendi sobre o temor do Senhor, e a todo momento aquilo vinha em minha mente como uma repreensão do Senhor.
Numa manhã, uma amiga me convidou para visitar a Igreja Batista da Lagoinha, gostei muito, encontrei lá um tipo de igreja que queria, pois minha mãe era de outra denominação cuja doutrina era muito rígida antigamente. Voltei na igreja à noite naquele mesmo dia, e no final do culto, o Pr. Márcio fez o apelo e eu disse a Jesus que iria colocar minha vida em ordem, terminar esse relacionamento fora da vontade Dele, e que no outro domingo eu o aceitaria. Neste momento, o Pr. Márcio disse: "Venha, não tente ajeitar sua vida, pois Jesus te recebe do jeito que você está, e Ele te dará forças para vencer e consertará sua vida". Neste momento, senti que ele falava para mim, meu coração acelerou de tal forma que parecia que ia sair pela boca, então aceitei a Jesus como meu Salvador!
Eu precisei muito, muito da mão do Senhor para me ajudar, porque colocar um ponto final naquela relação era muito difícil, pois satanás trouxe uma pessoa do jeito que eu sempre quis. Então escrevi uma carta para ele terminando tudo, e depois de muito tempo de lágrimas, consegui tirá-lo da minha vida.
Minha mãe vivenciou tudo isto e também minha decisão por Jesus. Este ano faz 6 anos que minha mãe morreu. Até mesmo na morte do justo Deus age. Três dos meus irmãos voltaram para os caminhos do Senhor, somente meu irmão caçula ainda não decidiu, mas tenho certeza que ele virá, pois minha mãe orou muito por ele também.
Hoje, graças a Deus, estou firme na igreja, e o Senhor me deu o privilégio de fazer parte deste coral maravilhoso que um dia eu pedi ao Senhor e que era um sonho para mim. O coral tem sido parte da minha família, pois com a morte da minha mãe, agora moramos eu e meu sobrinho somente. Espero no Senhor por um marido segundo o seu coração, e que o Senhor possa me usar cada vez mais na sua casa. Espero que este testemunho seja bênção na vida de alguém, e como disse o Pr. Márcio: "Venha como está, porque Deus veio para os doentes e não para os sãos". Que Deus abençoe!!
**Maria Aparecida "Cida", é 2º soprano e está no coral há 17 anos.**
